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27/03/2017

TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA , IDOSOS E CUSTOS COM SAÚDE

A população envelhece em todo mundo. No Brasil não é diferente.

Projeções das Nações Unidas indicam que uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais. Em 2050 será uma em cada cinco pessoas. O estudo aponta, ainda, que, em 2050, pela primeira vez, haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos.

Em 2012, 810 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, constituindo 11,5% da população global. Projeta-se que esse número alcance 1 bilhão em menos de dez anos e mais que duplique em 2050, alcançando 2 bilhões de pessoas ou 22% da população global.

Já no Brasil, segundo pesquisa do IBGE, a população idosa totaliza 23,5 milhões de pessoas.

Podemos considerar o envelhecimento da população sob o ângulo de mehor condição de vida, mais educação, mais saneamento, mais renda, mais acesso à saúde, e evidentemente, uma medicina mais eficiente no diagnóstico precoce e nos tratamentos mais eficazes.

Na verdade, estamos vivenciando a chamada transição epidemiológica, onde as doenças infecciosas estão sendo substituidas pelas doenças crônicas e degenerativas, tais como Doenças Cardiovasculares, Câncer, Osteoporose, Artrite, Hipertensão Arterial, Diabetes, Insuficiência Cardíaca, Doenças Pulmonares Crônicas, Depressão, Demências vasculares, Alzheimer e Obesidade.

Falando das doenças cardiovasculares, a prevalência aumenta acentuadamente com a idade, de tal forma que mais de 60% dos idosos acima de 65 anos, tem alguma tipo de doença cardiovascular - seja hipertensão, diabetes, doença coronária, insuficiência cardíaca, ou muitas vezes, todas elas em um mesmo indivíduo.

Em geral, os idosos precisam de múltiplas medicações, e estas, precisam ser muito bem avaliadas em termos de custo, eficácia e segurança. Muitas vezes nos deparamos com a díicil tarefa de avaliar os risco de um determinado medicamento que previne um Acidente Vascular Encefálico e a possibilidade de sangramento.

São decisões que devem ser individualizadas, caso a caso, considerando os custos e os benefícios para aquele indivíduo.

Os efeitos colaterais do uso de múltiplas drogas são responsáveis por mais de 177 mil atendimentos de emergência, anualmente, nos Estados Unidos.

São sete vezes mais frequentes em idosos que em jovens.

Os medicamentos mais comuns são a warfarina, a insulina, os agentes hipoglicemiantes, os agentes antihipertensivos e os antiplaquetários (aspirina, clopidogrel). Muitas vezes estes efeitos ocorrem, por erro de medicação, de forma não intencional.

Diante de uma situação econômica díficil, se torna evidente a necessidade de uma rigorosa avaliação dos Custos e dos Benefícios, cabendo ao Médico a responsabilidade de utilizar estes medicamentos com conhecimento e segurança, de tal forma a oferecer o melhor em eficácia e segurança.

Muitas internações hospitalares também ocorrem por efeitos adversos de medicação, associações descabidas de medicamentos, desconhecimento da fisiologia, da bioquímica e da farmacologia e, em particular, das condições funcionais do indivíduo, como um todo.

Não temos resposta para muitos questionamentos, e muitas vezes, na busca do benefício corremos o risco de efeitos colateria adversos.

Neste sentido a palavra chave é a individualização do tratamento, o uso da melhor medicina baseada em evidências científicas, estas desprovidas de conflitos de interesses muitas vezes existentes.

O envelhecimento é uma realidade. A redução da natalidade é uma realidade. O manuseio de medicamento em idosos, bem como encontrar o equilíbrio custo x benefício é imperativo em todo mundo.

 

Bibliografia:

1)SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS
SECRETARIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS