O Hospital

Histórico do Hospital Memorial São Francisco

Falar da história do Memorial é falar de sonhos, de superação, de muita compreensão familiar e cooperação. E principalmente de sonhos que se tornam realidade quando são compartilhados com muitas pessoas.
Inicialmente, tínhamos o Procárdio - Instituto de Cardiologia da Paraíba, empresa que ainda hoje existe é que é a empresa mãe empresarialmente responsável. Criado nos anos 70, enfrentamos anos de chumbo grosso, não do regime militar, mas de muitos colegas e pessoas, que viam naquela pequena instituição, uma afronta ao status vigente. Afinal, como um jovem de pouco mais de 25 anos, se atreveria a enfrentar os grandes medalhões da cardiologia local, colocando uma clínica, juntamente com outros visionários, para fazer frente aos grandes serviços da época?

Foram anos de sofrimento, discriminação e por que não dizer, humilhação. Sofremos muito, não somente eu, mais toda a minha família. Para não ouvir o que não desejava e seguir em frente na busca dos meus sonhos, tampei meus ouvidos com algodão e abracei o trabalho, a disciplina e o conhecimento como os instrumentos da batalha.


O Procárdio resistiu ao vendaval de perseguições e foi se firmando como uma unidade hospitalar muito limitada, mas a esta altura já contando com o espírito solidário de muitas pessoas. O crescimento nos levou ao Memorial São Francisco, iniciado em 15 de maio de 1992. Foram 312 semanas de construção e acredite leitor, não teve uma semana sequer que eu tivesse na segunda feira, a menor idéia de como ia pagar as despesas na sexta (a folha de pagamento, os insumos, os compromissos assumidos). Foram 312 semanas de desafios.


Quando comecei a fazer a fundação as pessoas me diziam, “ah! A fundação é fácil, mas você não pode fazer a estrutura”! Quando fiz a estrutura, outros me falavam, “você não consegue sequer colocar a primeira laje”! E assim, as coisas foram acontecendo e se materializando.


Com o apoio de Deus, da família, de um punhado de amigos, conseguimos levar a frente o Projeto Memorial São Francisco, projeto ousado entregue à população paraibana em 12 de outubro de 1998, depois de termos, em 312 semanas, enfrentado e matado 312 leões! E olha que não eram os leões da Receita Federal do Brasil! Eram dificuldades enfrentadas, limitações de recursos, sonhos que desejávamos realizar e muitas vezes nos perguntava, como?


Do lado familiar a solidariedade sempre foi a marca registrada e não posso esquecer a força dada por meu estimado filho Felipe Kumamoto, que, já estudando medicina, e sofrendo na Faculdade a discriminação que existia contra mim, me dava não só o apoio como filho, mas uma força moral e espiritual compatível somente com os heróis que cada ser humano constrói em seu "mundo"!

Minha esposa Laura, sempre ao meu lado, muito comedida, sempre me indagava como eu tinha a coragem de enfrentar sozinho tamanho desafio! Solidários, todos em um só refrão, no silêncio ou com palavras de apoio e carinho, sempre expressavam solidariedade e determinação!

Nesta caminhada, recebi o apoio de milhares de clientes que me incentivavam e me diziam: o senhor vai conseguir! Conte comigo! Citar todos seria impossível, mas numa forma de agradecer a todos quero citar apenas alguns episódios que muito me marcaram: o primeiro se refere a uma cliente chamada dona Aurinha, morava no Jardim Luna, era portadora de uma cardiopatia grave e eu a acompanhava em casa. Todo mês, nunca vou me esquecer, ela ia até o Procárdio, acompanhada da filha, com um envelope na bolsa. Chegava e ia logo me entregando este envelope. Nele ela trazia uma quantia me dizia: receba meu filho, é para ajudar na construção do Memorial!

Outro personagem solidário, graças à Deus, vivo e compartilhando conosco as alegrias e tristezas de nossas famílias, é Sindulfo Santiago, sócio fundador da Sincera, produtora de tijolo. Sindulfo nunca aceitou receber o pagamento de nenhum tijolo colocado naquela construção! E olha, foram mais de 100,000 tijolos!

Outra personagem foi Maria Augusta Dias, conhecida como Gusta. Como Dona Aurinha frequentemente ia com sua sobrinha, Creusa Frazão do Lago, e me levava uma doação em dinheiro para ajudar a construir o Memorial. E assim, nasceu o Memorial!

Meus pais Eije Kumamoto (in memoriam) e Marly Duarte Kumamoto, minha mãe, viva, altiva e vivendo a beleza de seus 90 anos. Meus irmãos Gilson, Eire e Helder Kumamoto. Meu sogro e toda sua família, Dr. Manoel Carneiro da Cunha. Não posso deixar de agradecer o carinho de Semeão Cananéia, Edísio Souto, meu conselheiro, Gumercindo Cabral, Creusa e Adrião Pires, Luiz Augusto Crispim, Nonato Guedes, Agnaldo Almeida, José Leopoldo de Souza (à época gerente do Banco do Brasil), José Paulino da Costa Filho, João Pereira Gomes, Ayrton Lins Falcão, Aloysio Pereira Lima, Humbeto Lucena, Marcone Góes, Tarcísio Burity, Florentino Lima, José Bonifácio Pereira, Francisco de Assis Saldanha, Zacarias Sitônio, Sebastião Barbosa (jornalista), todos os funcionários do Procárdio, desde o mais antigo como o Sr.Olimpio, mestre de obra, a enfermeira Doraci e Dorgival Leite Sobrinho, pessoas que não tenho com palavras como agradecer tamanha dedicação e carinho. Péricles Vilhena e sua família que não só acreditaram no projeto como também se tornaram meus sócios.

Aos meus conterrâneos de Princesa que sempre estiveram ao meu lado. Inúmeros colegas médicos que sempre estiveram ao meu lado e milhares de pessoas que, como clientes, oravam e me diziam que o "nosso" projeto iria se concretizar.

Ao citar os nomes acima, quero agradecer a toda a população paraibana e quero fazer um agradecimento especial a todos aos que, me conhecendo melhor, não fizeram julgamento sem me conhecer, confiaram em mim, nos meus sonhos, nos meus projetos para a cidade de João Pessoa, no meu projeto de vida!

A todos nossos colaboradores atuais, que, unidos e coesos, construímos a cada dia um ambiente de respeito ética e sonhos coletivos. Ai está o Memorial, construído, mantido. Deixou de ser um sonho individual e hoje é uma realidade coletiva.

Agradeço a Deus por nos fazer compreender a vida como o maior valor do ser humano, por nos ter feito compreender o significado da família, por nos ter dado a oportunidade de construir uma grande rede de solidariedade, de nos ter ensinado a conjugar o verbo “servir” e por nos ter ensinado que os grandes feitos da humanidade foram realizados por pessoas que acreditaram em seus sonhos!

Tamanho sacrifício mereceria um livro para ser contado e onde, certamente personagens se destacariam na narrativa, fielmente baseada em fatos verdadeiros e que espero um dia entregar à sociedade paraibana. Espero que Deus me permita, em futuro próximo, contar melhor, pedaços não da história do Hospital Memorial São Francisco, mas contar toda a nossa história de vida, de personagens anônimos, de sonhos, de realizações, de alegrias e tristezas. Afinal, o que é a vida senão uma eterna dinâmica dos desígnios de Deus?

Em resumo pedaços da história do Memorial São Francisco. Quando um dia escrever melhor esta história, você vai saber que tudo começou em 1918, quando o japonês Eije Kumamoto, veio para o Brasil com parte de sua família, como imigrante japonês, e fez de Princesa, pequena cidade no sertão da Paraíba, sua verdadeira pátria.

Seu Eije veio para o Brasil acreditando encontrar aqui o país do futuro, o país da esperança!

Certamente, temos muito que contar, temos muito que aprender. Construir o futuro e alimentar a esperança são sentimentos que permanecem vivas em nossas memórias e são tidas como compromissos não só de nossa família, mas que procuramos tornar sonhos e desejos de todos aqueles que acreditam no Brasil e em particular, na nossa pequena e querida Paraíba!

Do Histórico do Hospital Memorial São Francisco publicado no site - www.hospitalmemorial.com.br e publicado com exclusividade na revista "A semana"